sábado, 31 de outubro de 2009

você pediu e eu já vou daqui

é isso.
resultado final: amor demais. não vai dar certo. não tem onde botar.
diagnóstico: encerra a noite lembrando que perdeu a novela.


há algo de errado no mundo. há algo de errado com o amor (é pouco? é muito?).
as lágrimas não caem. o orgulho funciona como uma grande barragem pra impedir. o maxilar ajuda, travando a boca e engolindo o choro que nasce da garganta, cumprindo o papel do coração que parou - nessa hora ele congela, porque se ficasse normal, ia explodir de tanto sentimento.
sempre fico fria quando a tendência é sentir demais. é como se fosse uma autodefesa do corpo, pra que ele não se desmanche e vire pó.

...
Aconteceu quando a gente não esperava
Aconteceu sem um sino pra tocar
Aconteceu diferente das histórias
Que os romances e a memória
Têm costume de contar
Aconteceu sem que o chão tivesse estrelas
Aconteceu sem um raio de luar
O nosso amor foi chegando de mansinho
Se espalhou devagarinho
Foi ficando até ficar
Aconteceu sem que o mundo agradecesse
Sem que rosas florescessem
Sem um canto de louvor
Aconteceu sem que houvesse nenhum drama
Só o tempo fez a cama
Como em todo grande amor
[Adriana Calcanhoto]
Choro ouvindo a música porque você me arranca sorrisos quando aparece na lembrança.
A saudade existe, do último abraço até o próximo.


...


Você é meu caminho, meu vinho, meu vício. desde o início estava você...
Meu zen, meu bem, meu mal.


E o que digo é: que pena. Perdemos uma linda história.
Mais um filme que se encerrou na sua sinopse em potencial.

e a gente vai se amando que também sem um carinho...

...ninguém segura esse rojão!

a vida fica mais fácil quando a gente tem pessoas pra complicar a vida junto.

...
carinho. risos. lágrimas. domingo. manhã. despedida. madrugada. jornal. enade. paixão. histórias. partido. música. poesia. e-mails. longos e-mails. ligações de saudade. revolução armada. reunião. feriado. distância. beijo. santos. relações. abraço apertado. confusão. lembrança. mãos dadas. gratuito. aperto. história. começo. você em associação livre.
...
as despedidas são mais fáceis assim: rápidas, arrancadas como um bandaid da pele. o ruim é que na hora da dor, a gente já tá sozinho.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Por que se é amigo de alguém?

"Por que se é amigo de alguém? Para mim, é uma questão de percepção. É o fato de... Não o fato de ter idéias em comum. O que quer dizer “ter coisas em comum com alguém”? Vou dizer banalidades, mas é se entender sem precisar explicar. Não é a partir de idéias em comum, mas de uma linguagem em comum, ou de uma pré-linguagem em comum. Há pessoas sobre as quais posso afirmar que não entendo nada do que dizem, mesmo coisas simples como: “Passe-me o sal”. Não consigo entender. E há pessoas que me falam de um assunto totalmente abstrato, sobre o qual posso não concordar, mas entendo tudo o que dizem. Quer dizer que tenho algo a dizer-lhes e elas a mim. E não é pela comunhão de idéias. Há um mistério aí. Há uma base indeterminada... É verdade que há um grande mistério no fato de se ter algo a dizer a alguém, de se entender mesmo sem comunhão de idéias, sem que se precise estar sempre voltando ao assunto."
Deleuze

Um agradinho, aos meus companheiros de linguagem.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

um adendo

você me dá preguiça.

o vento vai dizer, lento o que virá.

aventura
dois perdidos pela cidade. lugar esquisito, nenhuma placa de nenhuma rua poderia lembrar algo. rostos estranhos, montanhas pra todo lado - a praia está longe. ao passar num bar: cerveja itaipava 2,69. desespero: estamos muito longe.

até que então, passamos por um lugar, com uma placa bonitona, sigla esquisita e o seguinte slogan: "aqui se faz saúde de verdade".

- fudeu, já não estamos nem no Brasil mais. - disse, já sem esperanças.

desventura
ah. às vezes é isso que você é, meu bem. é isso que é gostar de você: desventura. falar de você é dificil, pelo menos se não for com poesia e música.
tento fazer o que faz, tento dificultar as coisas...

...mas perco no primeiro sorriso, ou na primeira declaração de saudade sua.
a verdade é que você que bota dificuldade em tudo, e eu tenho que lidar com toda a complexidade de simplesmente querer estar junto.
a verdade é que a dificuldade é quase que natural pra você, faz sentido dentro do que quer e acredita. pra mim, ela fica artificial, vira joguinho.
a verdade é que nem sei se tudo que existe entre a gente é coisa criativa minha - e se for, haja criatividade - ou se existe, mesmo, algo em você também.

isso é desventura.

e isso é chato.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Coisas do mundo, minha nega

Das coisas do coração
A gente não sabe o quanto uma relação é superável e o quanto ela é apenas abstraída, jogada pra debaixo do tapete. Há dias não me importava. Até li cartinhas antigas, com tom de "bons tempos". Até que uma música te pega de surpresa, e te faz chorar.
A primeira música do primeiro CD.
- Maldito.
É tudo que consigo dizer.

Da morte
"Brindando à morte e fazendo amor", recebo como título de e-mail no meio de uma crise existencial fudida. Crise existencial quase que superada.
"A vida é mais perigosa que a morte", foi a mensagem que recebi de uma amiga, minutos após minha vó ter morrido. A vida é mais perigosa que a morte e os sentimentos vem da percepção dessa vida. Depende de onde se olha e pra que se olha. Porque sofrimentos e alegrias existem aos montes por aí, das boas e das ruins, de ambas.

Do mundo do trabalho
"Oferecemos vagas para balconistas". No sistema capitalista, trabalho é algo que se "dá", basicamente se "doa". Burgueses tão gentis, fazem o favor de "oferecer" uma, duas, vagas.
- Como são gentis! - diz o desesperado.
Os jornais anunciam que o desemprego tem diminuído, e os burgueses sentem uma tranquilidade na alma.
- Puxa, que bom. As coisas estão melhorando afinal, e não estou tão prejudicado assim.

Que dêem salário mínimo pra todos! Verá que o problema não é falta de trabalho. Que dêem educação pra todas as criancinhas, e vão ver que não é falta de escola (talvez até seja excesso o problema). Isso parece tão óbvio que até dói escrever isso como se fosse novidade.
O problema não é falta de emprego, nem falta de vagas nas escolas, Universidades. Não é falta de saúde, tampouco.
O problema é viver num sistema que depende dessa falta. Enquanto o sistema não mudar, ter emprego, saúde e educação será sorte. Qualquer emprego de merda é lucro, é sorte, é bondade de burguês e não humilhante, alienante e escroto.

Do movimento estudantil megalomaníaco
Cinco, dez ou cinquenta, o número não importa muito.
Basta poucos, basta uma conversa entre poucos lunáticos, que se resolve: um censo de todas as universidades de santos; um documentário sobre as universidades do estado de são paulo; um ato no senado, em duas semanas. Essas, as levadas a sério.
Algumas são lançadas, num tom de piadinha útil, daquelas que se diz com humor, mas que se alguém levar a sério, logo vira encaminhamento. Dessas daí, prefiro não comentar.

I do like you today.

"- vai ficar tudo bem?"
ele pergunta, como criança que faz arte.

a verdade é que não dá pra saber. não se sabe o que é o "tudo", não se sabe o que é o "bem", menos ainda se sabe sobre o que se espera do "ficar"...fica? não sabe se fica, se vai e volta, se vai e não volta, se fica um dia, um ano, pra sempre. é difícil responder algo que caminhe no sentido de estabilidade, vindo de uma relação entre pessoas que cada dia a vida perde e ganha novos sentidos.
o que importa é: hoje se quer pra sempre, e as coisas se tornam no máximo "obstáculos", mas não "impedimentos". torna a brincadeira mais difícil, mas ela não tem cara de que vai acabar tão cedo (é horário de verão, o tempo de brincar é mais longo).


... ... ... ... ...


tem horas que ele parece pequeno, como quando pergunta se vai ficar tudo bem. e ela se sente grande, explicando as coisas, como funcionam, como são, como deve ser; tem horas que ele parece grande. e ela deita em seu colo e escuta, atenta. tenta entender, aprender, e fica pensando sobre o assunto; tem horas que são dois perdidos num mundo estranho, vivendo esse negócio doido que é gostar - é que eles jogaram fora o manual de instruções que se distribui gratuitamente, e tiveram a idéia (que às vezes parece brilhante, às vezes nem tanto) de inventar o próprio. e fica um olhando pro outro e sorrindo, sem graça. "sinto muito, não sei o que se faz agora", dizem um ao outro.
por outro lado, é de se perder as contas de quantas vezes eles trocam frases como "nossa, eu sou assim também", "penso exatamente assim", "também senti isso"... nessas horas eles parecem grandes, entendidos, experientes.

ah! deliciosa dança de gostar-criando.

... ... ... ... ... ...


Meu amor, meu cúmplice, eu sempre vou te achar
Nos avisos da lua, do outro lado da rua
Rodei todas as lanchonetes
Tive idéias perversas
Relembrei tantos golpes espertos
Você cada vez mais perto
Meu amor, meu cúmplice, meu par na contramão...
(Cazuza, Cúmplice)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

"vazio agudo. ando meio cheio de tudo"*

"eu já fui como você", diz você, sempre tão confiante. mas eu não quero ser como você, não quero. e duvido que você tenha sido como eu, duvido.

hoje ninguém nem nada me basta, nem eu mesma.
não há nenhuma resposta pra todas as perguntas que carrego, cada uma pesando mil toneladas. hoje a vida não é certa.

nunca foi, mas hoje isso é certo.

*paulo leminski (o título)
 
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