terça-feira, 3 de junho de 2008

arnaldo antunes na veia

"Quando você for dormir, quando você se deitar deixa o pensamento ir sem ter nunca que voltar...
Música vermelha.
Pássaro de flor.
Chuva sobre a telha.
Beijo de vapor.
Riso no escuro.
Lua de beber.
Voz detrás do muro.
Medo de morrer.
Toda noite cria o que acontecerá de dia para o novo dia vir."
Da aurora até o luar

"Eu vou te dar alegria
Eu vou parar de chorar
Eu vou raiar o novo dia
Eu vou sair do fundo do mar
Eu vou sair da beira do abismo
E dançar e dançar e dançar
A tristeza é uma forma de egoísmo
Eu vou te dar eu vou te dar eu vou...alegria."
Alegria
"Procuro nas coisas vagas ciência
Eu movo dezenas de músculos para sorrir
Nos poros a contrair, nas pétalas do jasmim
Com a brisa que vem roçar da outra margem do mar
Procuro na paisagem cadência
Os átomos coreografam a grama do chão
Na pele braile pra ler, na superfície de mim
Milímetros de prazer, kilômetros de paixão
Vem pra esse mundo, deus quer nascer
Há algo invisível e encantado entre eu e você
E a alma aproveita pra ser a matéria e viver"
A Alma e a Matéria
e depois tem mais....

segunda-feira, 2 de junho de 2008

yesterday i get so old, it made me want to cry.

Crescer. Não é a primeira vez que escrevo sobre isso. Não é a primeira vez que cresci.
A vida compõe, atravessa e faz graça da própria vida.
Madrugada. Uma parede de concreto e a janela fechada me separam do caos do mundo. Porém, nada me separa do caos que me atravessa. Não há defesas quanto a isso.

O fim de semana foi intenso, meus dias tem sido intenso. Por isso não posto muito. Amanhã tenho prova. Minhas frases estão curtas e pontuais hoje. É muita coisa pra contar, pra escrever, descrever, pensar... o ponto final interrompe. Parece que os dias mais intensos precisam de registros, mas não é possível fazer registros vivendo dias intensos.

Então os dias mais intensos ficam na lembrança, para um dia serem retomados novamente numa tarde de domingo, num blog da rede.


Até lá.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

A turba do "pega e lincha"

CONTARDO CALLIGARIS
Querem linchar para esquecer que ontem voltaram bêbados e não sabem em quem bateram

NA ÚLTIMA sexta-feira, passei duas horas em frente à televisão. Não adiantava zapear: quase todos os canais estavam, ao vivo, diante da delegacia do Carandiru, enquanto o pai da pequena Isabella estava sendo interrogado.
O pano de fundo era uma turba de 200 ou 300 pessoas. Permaneceriam lá, noite adentro, na esperança de jogar uma pedra nos indiciados ou de gritar "assassinos" quando eles aparecessem, pedindo "justiça" e linchamento.
Mais cedo, outros sitiaram a moradia do avô de Isabella, onde estavam o pai e a madrasta da menina. Manifestavam sua raiva a gritos e chutes, a ponto de ser necessário garantir a segurança da casa. Vindos do bairro ou de longe (horas de estrada, para alguns), interrompendo o trabalho ou o descanso, deixando a família, os amigos ou, talvez, a solidão -quem eram? Por que estavam ali? A qual necessidade interna obedeciam sua presença e a truculência de suas vozes?
Os repórteres de televisão sabem que os membros dessas estranhas turbas respondem à câmera de televisão como se fossem atores. Quando nenhum canal está transmitindo, ficam tranqüilos, descansam a voz, o corpo e a alma. Na hora em que, numa câmera, acende-se a luz da gravação, eles pegam fogo. Há os que querem ser vistos por parentes e amigos do bar, e fazem sinais ou erguem cartazes. Mas, em sua maioria, os membros da turba se animam na hora do "ao vivo" como se fossem "extras", pagos por uma produção de cinema. Qual é o script?
Eles realizam uma cena da qual eles supõem que seja o que nós, em casa, estamos querendo ver. Parecem se sentir investidos na função de carpideiras oficiais: quando a gente olha, eles devem dar evasão às emoções (raiva, desespero, ódio) que nós, mais comedidos, nas salas e nos botecos do país, reprimiríamos comportadamente.
Pelo que sinto e pelo que ouço ao redor de mim, eles estão errados. O espetáculo que eles nos oferecem inspira um horror que rivaliza com o que é produzido pela morte de Isabella. Resta que eles supõem nossa cumplicidade, contam com ela. Gritam seu ódio na nossa frente para que, todos juntos, constituamos um grande sujeito coletivo que eles representariam: "nós", que não matamos Isabella; "nós", que amamos e respeitamos as crianças -em suma: "nós", que somos diferentes dos assassinos; "nós", que, portanto, vamos linchar os "culpados".
Em parte, a irritação que sinto ao contemplar a turma do "pega e lincha" tem a ver com isto: eles se agitam para me levar na dança com eles, e eu não quero ir.
As turbas servem sempre para a mesma coisa. Os americanos de pequena classe média que, no Sul dos Estados Unidos, no século 19 e no começo do século 20, saíam para linchar negros procuravam só uma certeza: a de eles mesmos não serem negros, ou seja, a certeza de sua diferença social.
O mesmo vale para os alemães que saíram para saquear os comércios dos judeus na Noite de Cristal, ou para os russos ou poloneses que faziam isso pela Europa Oriental afora, cada vez que desse: queriam sobretudo afirmar sua diferença.
Regra sem exceções conhecidas: a vontade exasperada de afirmar sua diferença é própria de quem se sente ameaçado pela similaridade do outro. No caso, os membros da turba gritam sua indignação porque precisam muito proclamar que aquilo não é com eles. Querem linchar porque é o melhor jeito de esquecer que ontem sacudiram seu bebê para que parasse de chorar, até que ele ficou branco. Ou que, na outra noite, voltaram bêbados para casa e não se lembram em quem bateram e quanto.
Nos primeiros cinco dias depois do assassinato de Isabella, um adolescente morreu pela quebra de um toboágua, uma criança de quatro anos foi esmagada por um poste derrubado por um ônibus, uma menina pulou do quarto andar apavorada pelo pai bêbado, um menino de nove anos foi queimado com um ferro de marcar boi. Sem contar as crianças que morreram de dengue. Se não bastar, leia a coluna de Gilberto Dimenstein na Folha de domingo passado. A turba do "pega e lincha" representa, sim, alguma coisa que está em todos nós, mas que não é um anseio de justiça. A própria necessidade enlouquecida de se diferenciar dos assassinos presumidos aponta essa turma como representante legítima da brutalidade com a qual, apesar de estatutos e leis, as crianças podem ser e continuam sendo vítimas dos adultos.

domingo, 27 de abril de 2008

AAAAAAAAAAAAAH!!!

É tanta imbecilidade que não se sabe nem por onde começar a contra-argumentar.
A cada merda que LEIO (sim, pois os desprovidos de bom senso não tem capacidade de FALAR, e por isso escrevem, de preferência no ORKUT) penso em uma contra-argumentação apropriada, mas daí começa a vir tantas coisas deprimentes que então desisto.

Triste, fecho o orkut e volto para o Sistema Urinário, em que eu, futura profissional da saúde, sou obrigada a DECORAR para fazer uma prova e conseguir uma boa NOTA, se quiser continuar almejando a minha formação acadêmica. Eu não preciso APRENDER, e por isso me aplicam uma prova e depois nunca mais isso é reutilizado e discutido.

Eles fingindo que estão ensinando, eu fingindo que estou aprendendo. Assim vamos seguindo a formação universitária. E ai de quem quer questioná-la. Os estudantes dela, mais do que formados antes mesmo de receberem o diploma (eu diria antes até de serem aprovados no vestibular), fazem o favor de reprimir esse questionamento. Sim, nessa nova lógica estudantil não são os professores, os conservadores, de direita, repressores. São os próprios alunos (=desprovidos de luz, conhecimento).

É. Os tempos do movimento estudantil talvez já passaram. A moda agora é a IMOBILIDADE ESTUDANTIL. O sistema paralítico, paraplégico, tetraplégico, cego, surdo e mudo. Perdão. Mudo, não. Eles ainda reclamam (E COMO!), de tudo e de todos, inclusive de quem quer o mesmo que eles.

Triste, muito triste.

sábado, 26 de abril de 2008

A "assemblemização" da UNIFESP

Meu primeiro ímpeto foi escrever uma confissão íntima do meu EU interior que mostraria meu lado ingênuo e doce de ser. A frase seria: "Nunca fui política".
Percebi logo a merda que estava escrevendo. Somos políticos o tempo inteiro. A questão na verdade é que ENTREI para a política agora. Eu e um grupo de que talvez tenha herdado dos pais, tanto quanto eu, o gene dos movimentos estudantis que já existiram, uma vez no passado. O gene do "somos-tão-jovens-vamos-mudar-o-mundo" se transformou em "eu-estudante-revolucionário-talvez-não-mude-meu-país-mas-a-universidade-pública-sim."
E assim foi que Assemblemizamos a UNIFESP Baixada Santista. "Questão de ordem!" grita um sujeito no fundo do corredor. "Vamos aos encaminhamentos para a votação", diz um jovenzinho na hora do almoço, querendo democratizar a decisão do lugar (já que não temos o nosso próprio refeitório universitário).

Talvez seja ingenuidade. É fato que já errei muito, sendo que isso começou há uma semana só. Mas também acho que acertei bastante, junto com meus "companheiros". A questão é que não dá pra agradar todo mundo, e isso fica claro quando se entra para o mundo político. Mas é fato, que isso fica ainda mais difícil quando AS PESSOAS NÃO PERMITEM SEREM REPRESENTADAS QUANDO NÃO MANIFESTA SUA POSIÇÃO DIANTE DOS SUPOSTOS REPRESENTANTES.

É fácil demais sentar na sua salinha quase que sem teto, em um calor sustentado por dois ventiladorzinhos quase sempre quebrados, depois de um almoço toscO (já que não tem mais dinheiro e a sua grade horária não permite almoços) e ficar reclamando da falta de estrutura, de como sofre o pobre aluno.
Até aí ainda passa. O que deveria NÃO ser fácil, era RECLAMAR de quem tenta lutar por algo do interesse do "pobre-aluno-sem-cadeira-sem-dinheiro-sem-refeitório" e CONTINUAR RECLAMANDO SENTADO.

Sim, erramos. Mas pelo menos erramos fazendo. Melhor do que errar por ficar sentado no sofá vendo as SUAS coisas sendo decididas pelos OUTROS.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

e a saudade no meu peito ainda mora...

"eu sei faz tanto tempo,
passamos por muitos momentos.
saber que tenho você
me faz continuar."
ando assim, apaixonada. vontade de cantar canções de amor.
mas cadê você para ouvir?

"eu vou cuidar de você.
eu cuidarei do seu jantar,
do céu e o do mar,
e de você e de mim."
mas pra isso vc tem que estar aqui. cadê vc para comer meu "macarrão carnavalesco" e eu ficar brava com suas piadinhas quanto a meus (nulos) dotes culinários?

"eu quero é ir embora,
eu quero dar o fora,
e quero que você venha comigo..."
e cadê vc para fugir comigo para algum lugar criativo nos sonhos, que sempre acaba sendo o apartamento em Santos quando este se torna objetivo?

"me deixe sim, mas só se for
pra ir ali e pra voltar.
me deixe sim, meu grão de amor,
mas nunca deixe de me amar.
agora as noites são tão longas,
no escuro eu penso em te encontrar.
me deixe só, até a hora de voltar.
me esqueça sim,
pra não sofrer.
pra não chorar.
pra não sentir,
me esqueça sim,
que eu quero ver,
você tentar sem conseguir."
te amo, em kilometros e a kilometros.

"e agora é só você que me faz cantar..."

post de menininha

a gente envelhece em questões de minutos.
quem pensa que é um processo que dura anos, se engana.
basta uma frase, uma situação, um momento para aquela primeira ruga nascer, o fio de cabelo crescer, ou a gente se sentir pequeno, mortal e finito.

a hora de QUERER SER já se foi e já passou a hora de SER, finalmente. o susto. não estou pronta para SER, eu QUERO SER ainda. talvez SER seja uma coisa muito chata, porque nunca é o que a gente QUIS, ou pelo menos não tem o gostinho que esperávamos.

domingo, 6 de abril de 2008

resistência bloguística

tenho lido muito Freud.
essa frase foi só para bancar a culta. a ideal seria:
tenho lido muito Freud, obrigatoriamente (já que começou o tão esperado Módulo de psicanálise.)

enfim, o texto para essa semana era sobre resistência na terapia. considerando que esse blog funciona, até certo ponto, como um divã alternativo, eu me autodiagnostiquei cometendo tal crime. sim, reportagens bizarras, letras de música, Clarice Lispector.
do que quero fugir desse blog? do que quero eu disfarçar, evitar confessar para esse blog inanimado?

mistério.
 
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