"Baby, eu lamento
Mas não tenho tempo
Pra sentir as tuas dores
As minhas eu já não agüento"
Desastre Mental, Cazuza
começo e paro: telefonemas para empresas de ônibus, uma transcrição atrasada, ler dois ou três livros, ouvir músicas, digitar ata, preparar evento do fim de semana.
tudo parece inútil, e se tem utilidade, não o faço bem feito: a inútil sou eu.
quero escrever o livro. hoje fui a duas livrarias, ontem em uma. sinto que tenho muito pra ler ainda. começo a fazer uma lista - "quando tiver dinheiro, saio comprando" - inútil, penso logo depois. vai saber quando terei dinheiro. quando tiver dinheiro, ainda me interessarei por poesia, filosofia, política? ainda terei curiosidade de aprender? quem serei eu, eu com dinheiro?
hoje tudo parece inútil. o futuro, o presente, a política, a música, os filmes. é tudo inútil. anda-se cinco passos na política e voltam vinte pra trás. é como se eu tivesse tentando andar com um carrinho, puxado por cordinha, e uma enchente indo contra mim - e o pobre carrinho. pode fazer, pode puxar o carrinho. mas verá que ele não vai andar, e se andar, será pro outro lado. é inútil. o que pensa é inútil.
a s p e s s o a s n ã o s e i n t e r e s s a m .
o segredo que eu não quero ouvir. a verdade que eu não quero entender.
continuo puxando meu carrinho. talvez um dia, a quantidade suficiente de pessoas venha empurrar comigo. algum voluntário?
terça-feira, 7 de julho de 2009
sexta-feira, 3 de julho de 2009
e hoje, deixa a vida pra amanhã.
[Há saudades nas pernas e nos braços.
Há saudades no cérebro por fora.
Há grandes raivas feitas de cansaços.]
Álvaro de Campos
porque a gente precisa de (bons) acasos pro dia valer a pena.
o acaso de hoje foi triste, mas foi remediado com a poesia.
ele sonha em me dar flores, trocar a lâmpada e fazer o jantar.
ensaia "eu te amo" e diz coisas lindas e brutas.
alguns poetas e filósofos já falaram do que ele fala, mas o que ele sabe ou pensa foi a vida que ensinou, sem livros ou manuais de instrução.
e eu, fico perdida nos pensamentos.
enquanto tento entender tudo de olhos fechados, o tudo acontece lá fora e nada faço eu.
Há saudades no cérebro por fora.
Há grandes raivas feitas de cansaços.]
Álvaro de Campos
porque a gente precisa de (bons) acasos pro dia valer a pena.
o acaso de hoje foi triste, mas foi remediado com a poesia.
ele sonha em me dar flores, trocar a lâmpada e fazer o jantar.
ensaia "eu te amo" e diz coisas lindas e brutas.
alguns poetas e filósofos já falaram do que ele fala, mas o que ele sabe ou pensa foi a vida que ensinou, sem livros ou manuais de instrução.
e eu, fico perdida nos pensamentos.
enquanto tento entender tudo de olhos fechados, o tudo acontece lá fora e nada faço eu.
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momento de si pra si,
para gostar de ler
quinta-feira, 2 de julho de 2009
alguém um tanto paradoxal.
é o que dizem por aí.
e é bacana, porque eu adoro essa palavra, e suas variantes: paradoxo, paradoxal... dá vontade de rir. (tenho sido rondada por estranhas nuvens de humor, o que tem me feito me sentir estranhamente bem, feliz.)
voltando ao paradoxo, que ouvi rumores de mim:
gosto de músicas tristes quando estou alegre.
pareço alguém fria e distante mas sempre acabo mostrando um lado bastante carente.
pareço alguém com muitos sentimentos, mas na verdade não. é que o pouco que tenho eu boto pra fora. além do que mostro, não resta nada. talvez até mostre mais do que tenha.
pessoas quando me conhecem falam que sou calma, que passo tranquilidade. o tempo passa e eventualmente concordam que, pelo menos internamente, é uma confusão constante.
e por hoje é isso. tchau.
e é bacana, porque eu adoro essa palavra, e suas variantes: paradoxo, paradoxal... dá vontade de rir. (tenho sido rondada por estranhas nuvens de humor, o que tem me feito me sentir estranhamente bem, feliz.)
voltando ao paradoxo, que ouvi rumores de mim:
gosto de músicas tristes quando estou alegre.
pareço alguém fria e distante mas sempre acabo mostrando um lado bastante carente.
pareço alguém com muitos sentimentos, mas na verdade não. é que o pouco que tenho eu boto pra fora. além do que mostro, não resta nada. talvez até mostre mais do que tenha.
pessoas quando me conhecem falam que sou calma, que passo tranquilidade. o tempo passa e eventualmente concordam que, pelo menos internamente, é uma confusão constante.
e por hoje é isso. tchau.
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quarta-feira, 1 de julho de 2009
permanently blue for you...
tchu-tchu-ru-tchu-ru.
un poquito mejor esta noche.
- nossa! já te disseram como seu cabelo era macio?
e você me vem na cabeça mais uma vez. sim, disseram. você disse. várias vezes. dias felizes, hoje tão amargurados.
un poquito mejor esta noche.
- nossa! já te disseram como seu cabelo era macio?
e você me vem na cabeça mais uma vez. sim, disseram. você disse. várias vezes. dias felizes, hoje tão amargurados.
a burguesia fede2
mesma casa do post anterior.
feche os olhos e se imagine numa festa de um filme do woody allen. vá passando pelos grupos, observando as risadas, as conversas, o estilo, os livros, as viagens, os filmes...
é lá que me sinto quando vou nesses eventos que acontecem nessa casa, de uma amiga da família. é um negócio estranho, sinto entrando não apenas num filme woodyalliano, mas num laboratório também. fico só observando. hoje nem bebi. uísque, vinho tinto, pró-seco, cerveja, o que quiser... e eu, nada.
só olhando, olhando.
as pessoas chegam em mim pelos mesmo assuntos: santos, se não é santos é a psicologia, se não é a psicologia são os olhos, se não são os olhos, é a cara: oh! igual a mãe, igual ao pai. só podia ser filha dos dois! nem precisa testar nada (risos das pessoas em volta).
ah. termino minha noite. muita comida, tédio e quase nenhuma contribuição.
uma angústia: preciso aprender a me relacionar com as pessoas.
feche os olhos e se imagine numa festa de um filme do woody allen. vá passando pelos grupos, observando as risadas, as conversas, o estilo, os livros, as viagens, os filmes...
é lá que me sinto quando vou nesses eventos que acontecem nessa casa, de uma amiga da família. é um negócio estranho, sinto entrando não apenas num filme woodyalliano, mas num laboratório também. fico só observando. hoje nem bebi. uísque, vinho tinto, pró-seco, cerveja, o que quiser... e eu, nada.
só olhando, olhando.
as pessoas chegam em mim pelos mesmo assuntos: santos, se não é santos é a psicologia, se não é a psicologia são os olhos, se não são os olhos, é a cara: oh! igual a mãe, igual ao pai. só podia ser filha dos dois! nem precisa testar nada (risos das pessoas em volta).
ah. termino minha noite. muita comida, tédio e quase nenhuma contribuição.
uma angústia: preciso aprender a me relacionar com as pessoas.
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poli-política
sábado, 27 de junho de 2009
dia cinza, post cinza
era mais uma manhã. calmamente esticar os braços e as pernas, levantar-se rápido. escolhas são feitas o tempo todo, sem nem perceber. tomar café em casa ou fora. o que fazer no dia? pra quem ligar?o corpo pede para que a cabeça funcione rápido - como viver cheia de compromissos sem fazer rotina na vida? o tempo inteiro pensando, para a vida ser mais interessante.
hoje é difícil escrever sem parecer uma espécie de carta pré-suicídio mal elaborada. ou um novo hit emo. hoje o dia foi chato. os dias têm sido assim, apesar do esforço de bons novos amigos. tenho vontade de inventar algo que te afete. te dizer uma mentira, cuspir na sua cara. roubar teu cigarro é inútil, já foi testado. a satisfação foi tão rápida quanto seu consumo. talvez fazer uma música. faria sucesso, e você talvez desse ouvidos a ela. cantaria enquanto desprezava mais alguém - descartaria "devolva-me" desta vez.
eu tô cansada. meu corpo pede por algo novo. algo novo pra mim, e não pra ter algo pra te contar. eu não suporto mais pensar em você. quero deletar você da cabeça - como tenho feito aonde você está presente virtualmente. não aguento mais a sua cara nojentinha, me perseguindo mentalmente. quando te encontro, estou enjoada de você, da sua cara, suas músicas e sua barba.
cansei de você mesmo passando tanto tempo te esperando.
quero pintar o cabelo. escrever um livro. ganhar dinheiro.
viver uma revolução. chega dessa vida monótona. chega dessa monotonia de mal-amada. chega dessas ações ditas de esquerda que parecem happy-hour da oposição.
essa esquerda que não anda. esse poder que fica aí, fedendo, com pessoas nojentas revezando como naquela brincadeira de passa-anel. se ele passar por mim - o que eu duvido, pois raramente brinco com essas pessoas - eu enterro e crio uma nova brincadeira.
essa capitalista já cansei faz tempo.
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poli-política
quinta-feira, 25 de junho de 2009
sem horizontes pra mim também, filho.
e então é isso. chego aqui, às vezes, e escrevo sem parar. o título já até tá pronto.
em outras, me deparo com a tela em branco, e esse quadrado angustiante, com um tracinho vertical piscando, pedindo para que as letras que correm atrás dele formem palavras e frases interessantes.
diálogos para colocar, até que tem. conversas interessantes ultimamente. surpreendida ultimamente por umas declarações de saudade, de amigos que foram surpreendidos por sentimentos - seja esse luto, seja esse descoberta, paixão, ou tudo isso.
ou falta disso tudo.
reli o blog esses dias. sinto que tudo que falarei é repetitivo: voltar pra casa, entrar de férias, coisas pra fazer, compromissos inúteis, realizações, frustrações, amores e malamores. tudo novo de novo.
até títulos são iguais, frases iguais, questões iguais.
penso que talvez deveria postar novas poesias. novas filosofias. mas não iam bastar muito, falariam das mesmas questões, de formas mais elaboradas.
preciso de uma nova pergunta pra minha vida.
senão o blog não anda.
nem eu.
em outras, me deparo com a tela em branco, e esse quadrado angustiante, com um tracinho vertical piscando, pedindo para que as letras que correm atrás dele formem palavras e frases interessantes.
diálogos para colocar, até que tem. conversas interessantes ultimamente. surpreendida ultimamente por umas declarações de saudade, de amigos que foram surpreendidos por sentimentos - seja esse luto, seja esse descoberta, paixão, ou tudo isso.
ou falta disso tudo.
reli o blog esses dias. sinto que tudo que falarei é repetitivo: voltar pra casa, entrar de férias, coisas pra fazer, compromissos inúteis, realizações, frustrações, amores e malamores. tudo novo de novo.
até títulos são iguais, frases iguais, questões iguais.
penso que talvez deveria postar novas poesias. novas filosofias. mas não iam bastar muito, falariam das mesmas questões, de formas mais elaboradas.
preciso de uma nova pergunta pra minha vida.
senão o blog não anda.
nem eu.
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terça-feira, 23 de junho de 2009
como bons estudantes de psicologia
conversamos e conversamos.
não exigimos muito do outro, pois estávamos cansados e a conversa que teríamos não seria das mais confortáveis.
você me irritou, eu não falei.
você ressentiu, e não falou. "deixa quieto".
como bons psicólogos, saímos embora, sem resolver nada.
mas com vários elementos psíquicos soltos no ar...
não exigimos muito do outro, pois estávamos cansados e a conversa que teríamos não seria das mais confortáveis.
você me irritou, eu não falei.
você ressentiu, e não falou. "deixa quieto".
como bons psicólogos, saímos embora, sem resolver nada.
mas com vários elementos psíquicos soltos no ar...
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