domingo, 11 de outubro de 2009

coisas do coração - a vida se encarrega dos encontros

algumas histórias da vida, da rua, da arte, da imaginação...

sobre relações, nº1
você diz que gosta das coisas devagar, mas eu tenho pressa.
"o amor é urgente" - digo tantas vezes.
mesmo assim, às vezes a gente esbarra em situações que obrigam que tudo seja necessariamente lento. a vida, às vezes cheia de compromissos, que dificulta encontros. os encontros, às vezes cheios de vida, torna tudo tão mais intenso - os olhares, as conversas, as mãos que se esbarram - que um beijo ou uma noite de sexo torna-se até menor, e "atrapalha" aquele momento.

às vezes é assim, né. hum?

sobre relações, nº 2
a complexidade da vida está em não saber o que é pior num domingo a noite: discutir a relação ou o pré-sal? oh, dúvida cruel.

sobre relações, nº 3
A marca com B de se ver no dia X. dia X-1, A sai com C, B sai com D.
não se sabe como será o dia X, menos ainda o X+1. nessa equação, os sinais estão em crise.
é soma? subtração? multiplicação? ou divisão demais?

disso tudo, uma reclamação: faltou essa aula nos mil anos de escola.

sobre relaçoes, nº4
as pessoas namoram e viram uma só.
"eu não posso porque fulano não vai poder" - é a frase de quem namora. é a frase que os solteiros tanto odeiam ouvir daqueles que namoram. odeiam e não compreendem.
"mas é ele que não pode, você pode!" - tentam, inutilmente, lembrar a vítima apaixonada.
não é uma crítica aos amigos que namoram, por favor, não é isso. é uma crítica a essa lógica do namoro, essa lógica do amor.
isso pra mim não é bonito. não é romântico. é coisa instituída e chata.

sobre relaçoes nº5
[quero que saibas que me lembro
queria até que pudesses me ver
és parte ainda do que me faz forte
e, pra ser honesto,
só um pouquinho infeliz]

faz tempo que não tenho um fulano que não pode ir aonde eu vou, pra eu deixar de ir também.

sobre relações, nº6
[diga que você me quer, porque eu te quero também]
tenho pressa pra dizer: ei, gosto de você.
e recitar poesias e cantar canções bonitinhas. mandar um trecho de romance e dizer: fica comigo? (guardo as mais bonitas, pra um dia dizer que achei "por acaso". vivo de forma que futuramente faça sentido te mandar alguma, pelo menos uma.)
tenho pressa pra dizer, junto com a pressa de sentir que realmente gosto.
(ai, quando será que vai dar aquele friozinho de novo na barriga?)

sobre relações, nº7
da série: diálogos de filme. [te ver, conversar, rir. como é bom! e quando foi que virou crime, virou feio? sinto como se estivesse num país estrangeiro: ´aqui não se come com a mão, filha´. é o único com quem posso ser inteira, já que é cúmplice do maior segredinho atual. apesar de tudo, hoje é dia de festa, porque eu te amo.]

sobre relações, nº8
a vida parecia mais fácil quando nos contávamos que ao crescer (e era apenas essa a condição pra tal) encontraríamos alguém especial e com ele viveríamos pra sempre.
a vida era mais fácil, quando isso parecia uma promessa interessante.

8 comentários:

João disse...

Sobre o no. 4.

Bel, a questão é de qual ponto está se partindo. Muitas vezes, passeio é pretexto para se ver, o que importa não é o passeio. Então sair nessa situação, sem a respectiva namorada, ou namorado, perde o sentido. Se o passeio for o texto, não o pretexto, isso raramente acontece. Vejo dessa maneira.

Mas não exclui que possa haver sim, situações em que o dois vira um, e passa a ser uma instituição chata.

beijos.

bruna ornelas disse...

noites de domingo no msn ouvindo músicas tristes + mensagens = número 5


hehe.

Rayssa. disse...

vc coloca na marcação o mundo anda tão complicado, mas ao falar das relações assim vc acaba descomplicando... ou só esclarecendo.

toshio disse...

bel, uns versos, não sei se em defesa do namoro, pelo menos do amor...


Cuando estamos juntos
somos sustantivos puros:
fuego, rama,
túneles, líquido, morada,
intercambio de sangre y de ternura,
de resurgimientos y pobrezas,
devoradores de mundos,
hacedores de universos,
fugitivos de este profundo
desentendimiento.

Adriana Kaufmann ("De Vampirismo y otras ternuras")

Bel Keppler disse...

rá: gostaria de saber aonde descompliquei, hehe. ao escrever, só fiquei mais confusa. =)

toshio: poema já utilizado, encaminhado. amei. =)
não sou desgosto do amor (muito pelo contrário), só tenho dúvidas quanto a seus vícios.
no mais: nunca ouvi falar dessa mulher. ela vai surgir no nosso próximo sarauzinho mágico, que começa sempre do nada?

toshio disse...

entonces, procurei sobre a mulher e não encontrei porra nenhuma... talvez tenha uma pequena raridade nas mãos:

EDICIÓN DE 300 EJEMPLARES
PAPEL Y CARTÓN CORTESÍA DE
IMPRESO EN MÁQUINAS REX ROTARY
CORTESÍA DE REMINGTON RAND MEXICANA

EDICIONES EL MENDRUGO
ELENA JORDANA
APARTADO POSTAL 5-434
MÉXICO, 5 D.F.
(TELÉFONO: 531 35 80)

o ano da edição é 1977... a capa é de papelão, as folhas de papel de pão, presas por cordão... trabalho genuinamente artesanal...

mudando de assunto, fiquei com a impressão de que, no fundo, você sente um pouco de falta daquilo que sinceramente rejeita... portanto, não se trata de despeito, mas de pura confusão e complicação mesmo... melhor, de insatisfação...

Rayssa. disse...

ah eu achei que or mais confusa que vc tenha ficado pra escrever isso tudo, vc descomplicou pq se atreveu a escrever... no sentido de complicação o não dito ;)

Gui disse...

Ai, ai..
Como tudo é tão urgente!!

Mas em algo que escrevi há algum tempo, questiono..

'Se o amor se multiplica quando se divide, por que o denominador é sempre 1?'

 
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