sábado, 23 de janeiro de 2010

só se vive uma vez.

olá. tudo bem? talvez você não se lembre de mim (ou talvez lembre - é quase uma chance de 50% 50%, mas eu prefiro dizer que talvez não lembre, para você sentir-se a vontade se não lembrar). eu estava num congresso, há um mês atrás, que você também estava.
a demora se justifica por duas aventuras: a de conseguir o seu contato, e a de tomar coragem para te escrever.

bom, eu não sei muito bem como falar isso se não for diretamente, mas vamos lá: acho que estou apaixonada por você. isso pode soar impulsivo e um tanto maluco, mas foi um mês de cálculos, relendo romances e assistindo novamente cenas e cenas de filmes clássicos. foi tópico principal da terapia e da conversa de bar entre amigos. então, tente entender essa conclusão. talvez eu possa tentar te explicar. talvez. mas te explicar não significa deixar mais óbvio, porque não é todo mundo que entende uma paixão. a paixão não é explicada racionalmente, linearmente e coerente. mas posso tentar explicar, e se você entender, quem sabe, pode até ser uma coisa boa pra nós dois - ambos entendemos uma paixão, isso não é um motivo para tentarmos?

enfim. como disse, não tem explicação muito lógica: eu notei você no último dia, e me apaixonei por você no primeiro.
por algum motivo, no último dia, não tinha conseguido pegar um ticket que daria direito a almoço. eu sentei na mesa para esperar as pessoas e conversar. quando chegou com a sua comida, você abriu um sorriso e me deu um pouco de sua comida, trazendo um prato a mais.
eu não queria comer mesmo, a falta de ticket não foi um lapso, foi certa escolha - os apaixonados loucos diriam que era o destino, mas eu sou sensata e digo que foi, no máximo, um belo acaso.

você sentou em outra mesa, de costas pra mim. foi uma tortura, porque ouvia você falando mas não poderia conversar com você. foi uns dez dias depois que eu reparei que de certa forma conversávamos, sim. você ouvia o que eu estava falando, e eu ouvia o que você falava. para falar a verdade, estávamos de costas mas eu não ouvia mais ninguém daquele lugar lotado. só a tua voz.

bom, foi então que o primeiro dia aconteceu. era noite e todos dormiam no alojamento. todos, menos você e eu. sabe, eu sempre achei que existe muita cumplicidade na noite, e não existe nada mais bonito que duas pessoas acordadas enquanto todos dormem. depois que isso acontece, existe uma cumplicidade entre essas duas pessoas que fica como uma marca, pro resto da vida.
e nós estávamos acordados, os dois. você não sabia que eu estava. eu estava deitada. você de pé, olhando a janela. antes do último dia, existia a cumplicidade - queria saber quem era você e principalmente, o que te tirava o sono.
depois do último dia, aquela imagem de você, de pé, olhando a janela grande na sua frente, tornou-se quase uma pintura na minha cabeça. virou um quadro que visito quase todos os dias - se fosse pintora, com certeza teria concretizado já até agora.

desde então, nossa relação tem se constituído por esses momentos. penso em você sempre, invento futuros e passados pra nós. tudo possibilidades, claro. não precisamos fazer desse jeito e eu te dou um tempo pra pensar também.
enfim, a coragem pra te escrever não foi bem por vergonha. foi quase uma descrença, de que grandes amores poderiam começar num refeitório de um congresso (talvez se eu tivesse te notado no primeiro dia, e logo me apaixonado, a cumplicidade da noite e a insônia faria ficarmos conversando e.). essa descrença tomou minha cabeça, porque essa história daria uma bela crônica, mas nunca uma poesia.

(e grandes romances precisam parecer com poesia.)

mas eu resolvi tentar. mesmo assim. talvez você não se lembre de mim (ou talvez lembre, não seria tão difícil assim). eu só queria ao menos conhecer o dono daquele sorriso quase que de graça que recebi. o que te faz sorrir tão de graça, e distribuir comida pras pessoas?
o que te faz ficar acordado, olhando pra janela? o que te tira o sono?
e por favor, se você for uma pessoa apaixonada como eu, entenderá que eu não quero que me dê respostas, apenas mais perguntas.

um beijo.

2 comentários:

cesar disse...

a beleza do cru.

Bruna Ornelas disse...

Adorei a sacada do final. Muy bien...

 
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