segunda-feira, 8 de agosto de 2011

tempo, tempo, tempo.

ruim demais pra ser verdade.
grande demais pra ser transformado.
pequeno demais pra ser possível.
intenso o bastante pra tirar do lugar.

duro demais pra bater.
profundo demais para mergulhar.
triste demais para ?
fedido o bastante para incomodar.

sossego? gesso. só gessos.
tão duro, tão rígido, tão dificil, tão-tão, que é assim. é-assim-e-ponto.
mais um dia, mais uma semana, mais um mês.

terça-feira, 26 de julho de 2011

diálogos (im)pertinentes

- e essa vida política, como tá?
- deliciosa! intensa! dificil!
- eita... parece um namoro proibido!
- ...e defender o socialismo não é?

segunda-feira, 25 de julho de 2011

simplicidade

a complexidade de se conseguir algo simples. eu queria: nós dois, na cama, enrolando para começar o dia. pijama, jornal, café - cuidado para não derramar! - o telefone tocando e a gente deixando ele de lado - risos cúmplices de um crime (fugir da rotina!).

você acende um cigarro - e eu roubo da sua mão - se eu não acendi, não conta e então posso continuar dizendo por aí que parei. você aceita. gosta quando eu fumo. uma vez disse que lembrava filme francês, principalmente com meu vestido xadrez, sentada na escada daquela casa velha. eu gosto que você goste que eu fume, e que aceite que eu não sou fumante - não mais, eu parei.

o sol querendo entrar, e a cortina tenta resistir fortemente. embora ela se esforce, confesso que gosto dos raios que escapam acentuando alguns móveis... observo atentamente, e paro quando vejo que a luz também ressalta a poeira. hoje não é dia de faxina.

eu quero uma dose de simplicidade a dois. quero alguém para dividir essa simplicidade. alguém que caiba numa fotografia que poderia ser guardada para vida inteira.

tempos depois olharia e um sorriso saltaria na minha boca: "tempo bão...".

quero você. tempo pra ser gasto. café. suco de laranja. sem gelo e sem açúcar.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

pegou seus sapatos vermelhos e partiu.

riu vendo um filme agradável.
comeu o chocolate preferido.
fez peixe, e ficou delicioso.
realizou algumas das muitas e infinitas tarefas - elas não acabam nunca, mas algumas cumpridas são suficientes para assumir a filosofia "um dia de cada vez".
conversou com amigos importantes, que se importam, interessantes que a interessam.

e de um dia agradável, de uma noite gostosa, ela então conseguiu dizer enfim: "eu superei".
encheu a boca para falar, aos ventos, pois não havia ninguém com quem dividir: "superei você e superei nós dois".

falou aos ventos, pois o frio hoje toma a cidade que antes era toda ocupada por dois.
falou pro vento, porque o outro que antes habitava a cidade há poucos indiferente era. o fim já foi dado faz tempo. os coturnos pretos partiram há um tempo. mas apenas hoje que acabou o rancor para os sapatos vermelhos, que leves se permitiram sentir o vento.

leveza. há tempos os sapatos não dançavam com tamanha alegria.
o riso fez bem, o salmão caiu bem, o papo fluiu e a vida hoje é leve e deliciosamente prazerosa, com todas as dores e durezas que tem.

parto.
uma saudação para a alegria, e partiu.
partiu a dor, pariu a alegria.
parto pra outra, pra si, pra outro (?).
que parte será dita para onde partir?
parte de quem saber?

tem quem diz (e ela é - era? - dessas): só se supera um grande amor com outro grande amor.
procurou então, quem havia surgido naquela cidade. pegadas na neve (novidade das redondezas)? nada. um som, algum sinal? nada.

então, percebeu: ninguém além dela havia parecido além dela mesma, naquela noite.
e os sapatos vermelhos puderam, então, dançar novamente.

domingo, 5 de junho de 2011

o que é isso, companheiro?

não dá pra conversar com você.
não dá para contar com você.

e você insiste em dizer:
- estou aqui, conte comigo, fala comigo.
mas você não está aqui, nem quer que te conte que te fale nada. não sei o que você quer, não sei como consegue se enganar com essa hipocrisia.
a verdade é que você fodeu com tudo. fodeu, deu merda, acabou.
acabou, mas eu continuo chorando, e você continua dizendo que está aqui, mesmo que não esteja mais - se estivesse, eu não estaria chorando.

penseitudoissodeumavezmasnãodissenada.

apenas "ok".

e espero que um dia você perceba que com você eu não quero nem falar do necessário.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

pendências

paramos de conversar.

e de parar de conversar, paramos de nos falar. e de parar de nos falar, paramos de nos cumprimentar. e de nos cumprimentar, paramos de olhar nos olhos.
e tudo ficou assim, por isso mesmo. sem mais convivência. sem mais conversa. sem mais falas. sem mais cumprimento. sem mais olho-no-olho. estancados como o ar no verão de Santos.


ficou pendente:
a conta
a faxina
a r-e-u-n-i-ã-o


ficou pendente:
o riso
o abraço
o carinho


e a gente segue.
hoje, fica tudo para amanhã.

domingo, 27 de março de 2011

Tempos Sombrios

"vocês, que vão emergir das onda
sem que nós perecemos, pensem,
quando falarem das nossas fraquezas,
nos tempos sombrios
de que vocês tiveram a sorte de escapar.

nós existíamos através da luta de classes,
mudando mais seguidamente de países que de
sapatos, desesperados!
quando só havia injustiça e não havia revolta."
aos que virão depois de nós, brecht



tempos sombrios em que spray de pimenta vira inseticida e criança vira mosquito.

sábado, 12 de março de 2011

a vida é assim.


as noticias anunciam: são mais de mil. ontem, eram 288. perdão, duzentos e oitenta e oito.
é um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove dez... dá trabalho escrever duzentos e oitenta e oito, que dirá mil, mil e oitocentos. um número por vez. dá trabalho...
...mas seria uma forma menos cruel, quando é de vida que falamos - morte, no caso.


mil e oitocentos - e o número crescerá, ah crescerá! - mortos/desaparecidos. para alegria da midia, que se alimenta de tragédias. quanto maior os dados numéricos, mais impressionante. mais vendas. o poder de ser aquele quem distribuirá as informações para brasileiros sedentos por dados numéricos.

vidas arrastadas. casas arruinadas. de longe, são madeirinhas boiando numa água infinita, que não acaba. de perto, é o desenho do filho que estava na geladeira, misturado com a geladeira, com a parede, com o teto, com o relógio, com o computador, com as roupas, com a compra do mês.

e a gente lê, assiste os videos (a tecnologia de hoje nos permite isso). ficamos chocados, horrorizados. escrevemos no blog, no facebook, no twitter. comentamos com um colega. "desgraça"... "ah, é mesmo, um desastre".

os que acreditam em Deus, rezam para Deus.
os pragmáticos procuram aonde podem doar algo.
os sensiveis choram, emocionam-se. mas logo se conformam: não há muito o que se fazer.
os indiferentes alegam: até que não foi tanta gente que morreu.
os entendidos do assunto tentam explicar para os leigos - sempre há uma explicação racional para tudo (a Academia é realmente excelente e prestativa).

e então o ônibus chega e você para de ler a capa do jornal da banca em frente. vai encontrar os amigos e beber para esquecer das mazelas.
e então você fecha a página da internet. abre o Word para fazer relatório de coisa qualquer para a faculdade ou qualquer planilha para o trabalho qualquer. vai tomar um café, e beliscar algo na cozinha.
e então você muda de canal. vai começar o quarto episódio de alguma temporada de algum seriado qualquer (ou passará aquele filme que você sempre quis ver).

a vida é assim.
a vida é assim?
 
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